Vietnã, um convite ao desfrute abundante

Vietnã, um convite ao desfrute abundante

Cheguei ao Vietnã no início de setembro e, daqui a poucos dias, encerro minha jornada por aqui.

Foram 13 cidades percorridas, do Sul ao Norte— e quando publico este post, estou  me preparando para um último tour 😄
Vi montanhas, dunas, deltas, rios, praias quase desertas, ilhas e pagodes.
Viajei de ônibus, trem, barco e muito de moto-táxi (já que não piloto moto e prefiro não me arriscar no trânsito caótico do Sudeste Asiático!).

Nos próximos textos da série Caminhos pelo Mundo, vou explorar mais detalhadamente cada região. Mas hoje, quero compartilhar algo mais íntimo: as reflexões que vivi neste país tão bonito e apaixonante.

Estrada do Vietnã
Pelas estradas do Vietnã, entre paisagens e aprendizados

Espiritualidade que se revela no sorriso

Em todas as viagens, procuro observar como cada povo vive sua espiritualidade.
Aqui, o budismo segue uma vertente mais próxima do budismo chinês, diferente do tibetano que me tocou tão profundamente no Nepal — onde cada puja parecia inundar todo o meu ser.
(Se quiser, você pode ler sobre essa experiência neste texto sobre o Nepal).

No Vietnã, fui descobrindo outra forma de expressão espiritual: mais silenciosa, mais cotidiana.
A espiritualidade se revela na resiliência e na gentileza.
O povo vietnamita é incrivelmente acolhedor. Inúmeras vezes fui ajudada quando me perdia pelas ruas — e, embora minha orientação espacial seja duvidosa (rs), já celebro a conquista de conseguir me achar pelo Google Maps. 🤭

No Vietnã, a fé também sorri.
No Vietnã, a fé também sorri.

Orgulho e leveza

Foi comovente visitar exposições e museus que retratam a história do país.
É nítido o orgulho que o povo vietnamita sente por sua trajetória, especialmente pelas vitórias sobre as tentativas de dominação estrangeira.
Por toda parte, a bandeira vermelha tremula com força — e, ao balançar ao vento, o contraste com o verde das árvores forma uma imagem inesquecível.

Isso me fez pensar o quanto nós, brasileiros, ainda precisamos aprender a valorizar nossa própria história, superando o velho complexo de inferioridade.

A maioria dos vietnamitas não fala inglês fluentemente, e muitos recorrem ao Google Tradutor para se comunicar. Quando não têm celular, simplesmente sorriem e pedem desculpas — sem constrangimento. Não percebi vergonha nem sensação de inferioridade, e isso me tocou profundamente.

Um costume curioso é o uso da palavra “Madame” como forma de tratamento.
Às vezes soa carinhoso, às vezes um pouco forçado — mas, no fim das contas, a gente começa mesmo a se sentir uma madame. 😅

O vermelho das bandeiras, a força de um povo que floresceu da própria história
O vermelho das bandeiras, a força de um povo que floresceu da própria história

Sabores que acolhem

O Vietnã é o segundo maior produtor de café do mundo, perdendo apenas para o Brasil. E, como tudo por aqui, o café também ganha versões criativas: gelado, com coco, com sal, e até com ovo! ☕Não posso dizer se é bom… porque não tomo café. 😉

A comida no Vietnã é deliciosa, colorida e surpreendentemente acessível.
Com o equivalente a R$10 a R$20, come-se muito bem nos restaurantes locais — embora existam opções para todos os bolsos.

O ingrediente mais presente nas refeições é o noodles, e o mais conhecido é o pho — uma sopa de macarrão de arroz servida com caldo quente e leve, acompanhada de carne de porco, frango, peixe ou versões vegetarianas. Mas há muitos outros tipos, cada um com um toque regional:

  • Bún chả – típico de Hanói, combina macarrão fino de arroz, carne grelhada e um molho agridoce com ervas frescas.
  • Cao lầu – especialidade de Hội An, feito com noodles mais grossos e firmes, servidos com brotos, ervas e carne de porco.
  • Mì Quảng – comum na região central, mistura noodles amarelos com amendoim, ervas e um caldo mais ralo e perfumado.
  • Bánh canh – tem noodles mais grossos e elásticos, feitos de tapioca ou arroz, geralmente servidos com frutos do mar.
  • Hủ Tiếu – uma sopa de noodles finos e transparentes, geralmente servida com frutos do mar ou carne de porco.

Quase sempre, os pratos vêm acompanhados de verduras frescas — como alface, brotos e um tipo de hortelã local — que contrastam com o sabor agridoce típico da culinária vietnamita.
O resultado é uma explosão de texturas e aromas… simplesmente divino! Há uma expressão em inglês que resume bem a experiência gastronômica por aqui:

“Same same, but different.”

A base é a mesma, mas cada cidade transforma o prato com um tempero, um molho ou um gosto próprio.

 Eu “nadei de braçada” e comi horrores. 😄 Sem dúvida, é a melhor comida que já experimentei — e já me preparo psicologicamente para o regime de frutas quando voltar à Índia. 🤭

Same same, but different — o sabor da simplicidade reinventada a cada prato

Corpo em movimento, alma em quietude

Ao amanhecer, os parques e praias se enchem de vida. Homens, mulheres e idosos começam o dia em movimento: caminhadas, alongamentos, tai chi, meditação — e, em muitos lugares, grupos de dança ao ar livre.

É bonito ver tantas pessoas reunidas, movendo-se em sincronia, com leveza e presença. Na praia, há quem se cubra de areia, acreditando que ela tem propriedades terapêuticas. E talvez tenha mesmo — há algo profundamente curativo em se conectar com a terra.

Nesse cotidiano simples, onde o corpo se movimenta e o sol desperta, percebi mais uma vez: a espiritualidade também se revela no cuidado diário consigo e com a natureza.

Quando o corpo desperta com o sol, a alma também se aquece.

Simplicidade e abundância

O Vietnã tem uma infraestrutura incrível e é um país muito acessível para viajar.
O transporte é eficiente: os ônibus geralmente te pegam na porta do hotel e te deixam no seguinte. Eles tem ar condicionado, água, lenço umedecido e alguns assentos até massagem para o corpo. O que mais me chamou a atencao foi que ao se entra de sapato: te dão uma scola pra você guardar e nas paradas tem uma caixa com chinelo disponivel para usar.

E é seguro viajar sozinha. Inúmeras vezes deixei minha bolsa na areia para mergulhar no mar — e, claro, como boa brasileira, mantive um olho sempre atento. 👀
Mas é libertador sentir essa leveza — viajar sem medo, sem tensão, apenas confiando.

As paisagens são de tirar o fôlego. A cada novo destino, a beleza parece se multiplicar.
E é nesse cenário que a espiritualidade se revela também: na contemplação da natureza. Entre montanhas, rios e pores do sol, a mente desacelera e o coração se expande.
Nesse relaxamento, memórias vêm à tona, padrões se revelam, e o corpo entende que é hora de deixar ir.

Tapete, chinelos e o mar por testemunha — bastam poucos elementos para sentir que tudo está no lugar.

Desfrute abundante

Gosto de encontrar palavras que sintetizam a energia de cada lugar que visito.
Aqui, duas me acompanharam desde o primeiro dia: desfrute abundante.

O Vietnã vibra abundância em tudo: na comida saborosa, nos transportes acessíveis, nas hospedagens simples e limpas, na natureza generosa que parece sempre sorrir.

É um país que convida ao desfrute — e, ao mesmo tempo, à gratidão.
A cada paisagem, uma nova oração silenciosa.
E sempre que a beleza me arrancava o fôlego, uma música me vinha à mente:

“Quando Deus fez você, estava namorando…” 🎶

É muita beleza num lugar só.
E a sensação que fica é de bem-estar e gratidão profunda por ter conhecido esse pedaço tão encantador do mundo.

Vietnã – terra da beleza abundante

Nos próximos capítulos da série “Caminhos pelo Mundo”, compartilho os roteiros e descobertas do sul, centro e norte do Vietnã.

(Acompanhe e viaje comigo — por fora e por dentro.)

Foto de Marcela Dâmaris

Marcela Dâmaris

Designer de aprendizagem, praticante de Yoga e criadora da Trip.MySelf. Conduzo vivências e celebrações que integram corpo, respiração e sentido — para que cada caminho seja também um retorno para dentro.

 

6 comentários em “Vietnã, um convite ao desfrute abundante”

  1. Isso amiga lugar lindo maravilhoso. Uma cultura voltada para a espiritualidade, onde a alma encontra a paz nesta paisagem deslumbrante. Aproveita.

  2. Curti muito quando fui e vejo que há muitos outros motivos para voltar. A delicadeza das pessoas é um fator real, mas senti que é preciso mais tempo para gerar uma naturalidade no tratamento. Há uma relação de respeito e distanciamento com os ocidentais, mas reparei tb na genuina alegria quando lhes dizia que eu era do Brasil. Fiz uma boa parte do centro do país (região de Hue) andando de bike e fui muito bem tratado; comi em lugares simples, e sempre muito bem. Obrigado por compartilhar as suas impressões e fotos, espero que possa retornar a essa terra.

    1. Marcela Damaris

      Sérgio,
      Que partilha linda 🙏✨. É isso mesmo — o Vietnã se revela aos poucos, no sorriso tímido, no gesto simples, no sabor de uma refeição partilhada. Fico feliz que nossas experiências se encontrem nesse senti.

  3. Lendo esse texto fiquei ainda mais empolgada pra conhecer esse país tão incrível ♥️ já estou apaixonada e com a certeza de que ficarei ainda mais.

    1. Geovana, que delícia saber disso 🌸! O Vietnã tem uma beleza simples e profunda… tenho certeza de que seu coração vai encontrar muita coisa bonita por lá.

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