A Vida Que Quer Fluir: O Corpo Sabe o Caminho
Sabe aquelas fases da vida em que tudo perde a cor e é difícil encontrar a alegria de viver?
É justamente nesses momentos que a vida que quer fluir começa a se revelar — não na pressa da mente, mas no silêncio do corpo. Aos poucos, ele mostra que ainda existe um caminho, mesmo quando tudo parece deserto por dentro.
Escrevo este diário daqui do Nepal, mas mais do que um lugar geográfico, é um espaço interno: onde o corpo aprende a falar, onde o desânimo pode virar chamado, e onde a vida lembra, delicadamente, que ainda é possível sentir prazer em viver.
Quando tudo perde a cor
Há fases da vida em que, de repente, tudo parece perder a cor. O prazer, a criatividade e até a alegria de acordar ficam turvos, como se a vida tivesse ganhado um tom amargo. Quem nunca passou por isso, que atire a primeira pedra.
O que fazer diante desse vazio? Cada pessoa encontra a própria saída — alguns buscam a fé, outros a terapia, outros ainda se apoiam nas relações ou na arte. No meu caso, confio nas práticas integrativas, porque elas acolhem o ser humano em suas muitas camadas, sem separar corpo, mente e espírito.
(Em outro texto quero contar como essas práticas foram essenciais durante a quimioterapia — uma travessia onde aprendi, na pele, o quanto elas sustentam.)
Esse estado de apatia pode nascer de muitos lugares: de um luto não elaborado, de uma mágoa, de um trauma ou da simples falta de propósito. E às vezes fica tão nebuloso que já não sabemos de onde vem o desânimo. Só sentimos o peso — e a sensação de que sair dali é quase impossível.
A minha busca por respostas
Eu já passei por vários momentos assim. Busquei terapia, fluoxetina, caminhos religiosos… ajudavam por um tempo, mas logo voltava aquela sensação de que “não era bem isso”.
Até que um dia, cansada de tanto sofrimento, resolvi experimentar essa tal de Yoga, que minha ex-chefe tanto falava que ia me ajudar.
E não é que ajudou mesmo?
Amor à primeira respiração
Foi amor à primeira vista. Minha mente se calou, e logo na primeira aula minha voz interna disse: “É disso que você precisa.”
Tive a bênção de ter uma grande professora, que desde o início me mostrou que Yoga vai muito além das posturas físicas (asanas). É uma jornada interna. Um reencontro.
Da Marcela baladeira, fui virando Marcela zen — e, claro, vieram as piadinhas: “virou zen chata.”
Olhando pra trás, talvez eu tenha virado mesmo. Mas descobri que não adianta tentar convencer ninguém... Cada um precisa viver a experiência direta.
Experiência direta: da sala de aula à sala interna
Esse conceito da experiência direta, que no mundo da educação a gente chama de “mão na massa”, “imersão” ou “aprendizagem significativa”, me acompanhou por anos.
Como professora, sempre tentei criar aulas imersivas, com todos os sentidos envolvidos, com espaço para a transformação.
E depois que me aposentei, veio o vazio: quem sou eu sem “ser” a Marcela professora?
Deixar fluir... no Nepal
Viajar sempre me trouxe alegria. Aprender novas culturas, ver outros modos de viver... Mas, depois de um tempo, senti falta de uma rotina — não aquela de bater cartão (disso nunca sentirei saudades 😂), mas uma rotina com significado. Algo que me ajudasse a mergulhar em camadas mais profundas da consciência.
Foi aí que vim para o Nepal.
Aqui, comecei a dar forma ao que hoje é a Trip.MySelf — um espaço de partilhas imersivas e significativas. A primeira partilha foi a Jornada Solar, em que durante 24 dias saudamos o Sol ao nascer do dia — eu aqui em Kathmandu, e as participantes no Brasil.
Depois, senti que precisava ir além da proposta pontual. Algo que pudesse conciliar partilha, estudos, descanso e... vida com qualidade.
E assim nasceu a VYO – Vivência de Yoga Online.
VYO #2: o corpo quer fluir
A VYO acontece todo mês, com um tema diferente. A ideia é simples: criar um espaço onde seja possível experimentar momentos de paz através do corpo.
A segunda edição, em especial, tem tudo a ver com o início deste texto. A proposta é trabalhar movimentos ondulatórios, com foco na pelve e no quadril. Um convite para o corpo lembrar como é bom habitar-se.
O segundo chacra e o “amargor da vida”
Na tradição do Yoga, esse amargor emocional pode estar ligado ao desequilíbrio do Swadhistana Chakra — localizado logo abaixo do umbigo.
Quando ele está em desequilíbrio, o corpo pode manifestar:
- Distúrbios menstruais, infertilidade, miomas
- Tensão na lombar e nos quadris
- Ganho de peso
- Desejo sexual desregulado ou apagado
- Vícios, tristeza profunda, sensação de insignificância
No plano físico, esse centro energético se relaciona com as gônadas (ovários e testículos), que regulam hormônios fundamentais para nossa saúde emocional. É como se o corpo gritasse: “Ei, lembra de mim?”
Em breve, vou escrever um texto dedicado só ao segundo chacra, para mergulhar com mais profundidade nesse universo e trazer práticas que ajudam a restaurar seu equilíbrio.
O Yoga como escuta interna
Eu confio no Yoga. Não como mágica, mas como prática. A repetição ritmada das posturas acalma minha mente, traz foco, clareza e me ajuda a abrir espaço para escutar meu corpo e minha alma.
Sem fórmulas prontas, sem querer bancar a zen chata (ok, só um pouquinho 😜), minha sugestão é:
Descubra o que te reconecta com o prazer de habitar o seu próprio corpo. Encontre algo que nutra a sua alma.
Um convite aberto
Se quiser experimentar a VYO e sentir tudo isso na pele e na alma, será uma alegria te ver no tapete.
Mas se não for esse o momento, desejo de coração que este texto te ajude a refletir sobre o que te traz alegria nesta vida.
🌞 A vida quer fluir. E o seu corpo sabe o caminho.
Namastê.
Quer seguir caminhando comigo? Veja as vivências mensais de Yoga e nossas celebrações. Se preferir um primeiro passo silencioso, leia outros textos no blog.
Marcela Dâmaris
Designer de aprendizagem, praticante de Yoga e criadora da Trip.MySelf. Conduzo vivências e celebrações que integram corpo, respiração e sentido — para que cada caminho seja também um retorno para dentro.
Querida amiga. Vc é o máximo viu? Sou sua fã! Obrigada por este convite tão gostoso em um momento tão difícil da minha caminhada terrena.
Gratidão por proporcionar esse encontro com a verdade!!!
Dirceu, muito obrigada pela sua presença e pelas palavras de carinho 🌿✨. Esse espaço só faz sentido porque é partilhado… que possamos seguir lembrando, juntos, da verdade que pulsa dentro de nós. 💜
Joseane, minha querida 💕, fico emocionada de saber que esse convite chegou até você nesse momento. A vida tem seus desertos, mas também suas flores — e compartilhar esses passos me fortalece também. Caminhemos lado a lado, com leveza e presença. 🌸🌞