Jala Mudra e Yoni Mudra: gestos que despertam fluidez e acolhimento

Jala Mudra e Yoni Mudra: gestos que despertam fluidez e acolhimento

Mais do que simples posições das mãos, os hastas mudras (mudras com as mãos) são convites para escutar o corpo e mergulhar nas águas internas que sustentam e transformam. Na VYO 2, “Fluir com leveza”, dois gestos simbólicos marcaram nossa prática: Jala Mudra e Yoni Mudra. Continue lendo e aprenda mais sobre esses dois gestos poderosos que trabalham fluidez e receptividade.

O poder dos mudras

No Yoga, os hastas mudras são mais do que gestos com as mãos: são atitudes que criam pontes entre corpo, mente e energia vital (Prana).
Ao direcionar a energia, eles podem despertar concentração, reduzir tensões e abrir caminhos de equilíbrio físico, emocional e espiritual.

Cada mudra atua de forma única — seja regulando órgãos e sistemas do corpo, trazendo clareza mental ou fortalecendo a autoconfiança.
Combinados à respiração e à meditação, tornam-se ferramentas poderosas para acessar estados mais profundos de consciência.

Jala Mudra — o gesto da água

O Jala Mudra, conhecido como gesto da água, simboliza fluidez e adaptabilidade. Assim como a água, que se molda a cada forma, esse mudra nos convida a navegar com mais leveza pelas mudanças da vida.

Varun Mudra — o outro nome de Jala Mudra

Quando há falta de água no corpo, o Varun Mudra pode ser um grande aliado: ele ajuda a restaurar a hidratação, trazendo também calma e clareza mental.
Por essa razão, é conhecido como o “selo da clareza”.

No simbolismo do Yoga, o dedo mínimo representa o elemento água. Ao unir a ponta desse dedo com o polegar, despertamos e potencializamos a energia desse elemento em nós.

Como praticar

  • Una a ponta do dedo mínimo com a ponta do polegar, formando um círculo.
  • Mantenha os outros dedos estendidos.
  • Apoie as mãos sobre os joelhos, com as palmas voltadas para cima.
  • Respire profundamente, inspirando pelo nariz e exalando de forma lenta.
  • Se possível, associe com respirações conscientes como a Ujjayi.

Benefícios

  • Físicos: auxilia no equilíbrio dos fluidos do corpo, apoia o sistema urinário, melhora a circulação e favorece a hidratação.
  • Mentais e emocionais: desperta criatividade, suaviza tensões e incentiva a adaptabilidade.
  • Espirituais: conecta ao chakra sacral (Svadhisthana), ligado à fluidez, ao prazer e à criatividade.

Uma prática simples de alguns minutos já pode trazer sensação de calma e clareza. Em momentos de turbulência emocional, visualize um rio tranquilo enquanto segura o gesto, repetindo internamente:
“Eu fluo pela vida com leveza e equilíbrio.”

Cuidados na prática

Assim como outros mudras, o Jala Mudra deve ser praticado com consciência:

  • Evite se estiver com retenção de líquidos ou quadros de inchaço, já que pode agravar os sintomas.
  • Durante episódios de tosse e resfriado, não é indicado, pois pode intensificar a tosse.
  • Pessoas com predominância de dosha Pitta ou Kapha devem ter cautela, pois a prática pode aumentar o desequilíbrio do elemento água.
  • Ao unir os dedos, não faça pressão excessiva: o gesto é leve e delicado, e não deve causar desconforto.

Yoni Mudra — o gesto do útero

O Yoni Mudra é o gesto que evoca o feminino universal. Representa o útero, o espaço de acolhimento e criação. Para muitas pessoas, a prática é sentida no ventre físico; para outras, é um mergulho interno, de retorno ao centro do sentir e do criar.

Duas formas de prática

Hasta Mudra (gesto de mãos)

  • Entrelace os dedos, mantendo os indicadores unidos e os polegares voltados para o corpo, formando o contorno de um útero.
  • Pratique sentado em postura confortável, por alguns minutos.
  • Benefícios: estabilidade para a meditação, concentração e relaxamento profundo.

Yoni Mudra clássico (descrições antigas, como na Shiva Samhita)

  • Com os dedos, feche gradualmente olhos, ouvidos, boca e nariz.
  • Esse “fechar das portas” induz um silêncio interior intenso.
  • Benefícios: desconexão das distrações externas, intensificação da percepção interna, despertar da energia adormecida (Kundalini).

Quando praticar o Yoni Mudra

O Yoni Mudra pode ser praticado em qualquer momento do dia — mas as manhãs, com sua atmosfera de quietude, costumam favorecer ainda mais a experiência.
Sente-se em uma postura confortável ou numa posição de meditação e permita-se permanecer alguns instantes no gesto.

Se quiser, entoe mantras enquanto mantém o mudra: o som vibra junto com o silêncio interior, aprofundando a prática.
Embora possa ser realizado após as refeições, os efeitos costumam ser mais potentes com o estômago vazio.

Mais do que um horário fixo, o Yoni Mudra é um convite: pratique sempre que sentir necessidade de se recolher do ruído externo e retornar ao seu centro.

Cuidados e contraindicações

Assim como qualquer prática de Yoga, o Yoni Mudra pede atenção e respeito aos limites do corpo. Não é recomendado em casos de lesões ou doenças na região pélvica.

Durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre, é melhor evitar o gesto, já que ele atua diretamente sobre a energia do ventre e pode estimular o útero. Nos estágios finais da gestação, no entanto, o Yoni Mudra pode ser um aliado para suavizar desconfortos e auxiliar no preparo para o parto.

Também não é indicado para pessoas que estejam atravessando quadros de depressão profunda ou estados de excessiva introversão, pois pode intensificar a desconexão do mundo externo.

Simbolismo e efeitos

O Yoni Mudra é um convite ao silêncio, à introspecção e ao reencontro com o sagrado feminino presente em todos nós.
Mais do que técnica, é uma experiência de recolhimento que abre espaço para a intuição, a criatividade e a paz interior.

Mudras como caminho de equilíbrio

Tanto o Jala Mudra quanto o Yoni Mudra foram praticados na VYO 2 — uma vivência dedicada a reconectar corpo e presença com fluidez.
Eles ilustram como os mudras podem ser usados de formas diferentes: ora trazendo leveza para lidar com o fluxo da vida, ora oferecendo acolhimento e silêncio interno.

Os mudras são convites para reeducar o corpo a sentir. Cada gesto nos lembra que equilíbrio não é rigidez, mas sim a dança constante entre firmeza e entrega.

Em um mundo acelerado, esses gestos simples podem se tornar âncoras para lembrar:

  • O corpo é templo.
  • A respiração é ponte.
  • A energia vital está sempre ao alcance das mãos.

Que cada mudra praticado seja também uma oportunidade de retornar ao seu centro.

Quer seguir caminhando comigo? Veja as vivências mensais de Yoga e nossas celebrações. Se preferir um primeiro passo silencioso, leia outros textos no blog.

Foto de Marcela Dâmaris

Marcela Dâmaris

Designer de aprendizagem, praticante de Yoga e criadora da Trip.MySelf. Conduzo vivências e celebrações que integram corpo, respiração e sentido — para que cada caminho seja também um retorno para dentro.

6 comentários em “Jala Mudra e Yoni Mudra: gestos que despertam fluidez e acolhimento”

    1. Fico feliz de saer que amou, Joseane! Depois de praticar por um tempo um desses mudras, me conte como foi a experiencia. Namastê!

    1. Evelyn,qQue alegria saber disso! Os mudras realmente têm uma sutileza transformadora, e fico feliz que esse conhecimento tenha tocado você. Que possam seguir trazendo presença e bem-estar ao seu caminho 🙏

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima