Navaratri é um dos festivais hindus de que mais gosto. Há alguns anos, costumo celebrá-lo em casa, sozinha ou convidando algumas pessoas para viver esses dias comigo.
Durante minha peregrinação pela Índia, fiz questão de estar no país durante o festival. Perguntei a dois indianos onde seria um lugar especial para vivê-lo e os dois me responderam: Varanasi.
E foi ali que percebi, ao vivo e em cores, algo que hoje me parece fundamental: não existe apenas uma maneira de celebrar o Navaratri.
Há dança, música, silêncio, jejuns, pujas, encontros comunitários, altares, procissões. E, por trás de expressões tão diferentes, uma mesma reverência às diferentes manifestações da Mãe Divina.
O que é Navaratri?
Navaratri é uma palavra em sânscrito que significa “nove noites” — nava, nove, e ratri, noite. É um dos grandes festivais do hinduísmo dedicado às diferentes manifestações da energia divina feminina, Shakti.
Dependendo da região, da tradição e da comunidade, essas nove noites são vividas de maneiras muito diferentes. Mas também podem ser compreendidas como um período de prática, devoção e transformação interior.
Embora repleto de danças, música e tradições religiosas, o Navaratri tem um profundo significado espiritual. Para muitos, representa uma jornada de transformação interior, em que se busca eliminar a negatividade, cultivar boas qualidades e alcançar sabedoria.

Para quem busca crescimento interior e espiritualidade, esse período simboliza uma jornada de transformação. Segundo a tradição hindu, a energia divina (Shakti), representada pelas deusas, ajuda o ser humano a se conectar com a consciência suprema (Shiva).
Uma das histórias mais conhecidas do festival é a da Deusa Durga lutando por nove dias contra um demônio chamado Mahishasura — uma criatura com forma de búfalo. No décimo dia, conhecido como Dasera ou Vijayadashami, ela o derrota. Essa batalha representa a vitória do bem sobre o mal e da luz sobre a escuridão. Os “demônios” dessa história simbolizam sentimentos e atitudes negativas dentro de nós, como o ego, a raiva e a ignorância.
Um festival, muitas formas de celebrar
Uma das coisas que mais me chamou a atenção ao viver o Navaratri na Índia foi perceber que a celebração muda bastante de uma região para outra. Em alguns lugares, ganha um tom mais ritual e devocional; em outros, se expressa por meio da dança, da arte, das flores, das procissões ou da vida comunitária.

Viver o Navaratri em Varanasi
Acho que comecei a perceber essa atmosfera antes mesmo de sair do aeroporto de Varanasi. Logo na chegada, encontrei este desenho feito no chão com pós coloridos, celebrando o Dussehra. Na Índia, é muito comum encontrar essas composições em períodos festivos. Foi um primeiro sinal de que aquela celebração não estava restrita aos templos. Ela já aparecia pelo caminho.
Em Varanasi, o festival parecia se espalhar pela própria cidade. Havia estruturas e altares montados em diferentes lugares, pujas especiais nos templos, música, dança e um movimento diferente nas ruas.
Mais do que compreender intelectualmente o que era o Navaratri, ali pude sentir sua dimensão coletiva. A celebração não acontecia apenas dentro dos templos: ela atravessava a cidade e envolvia quem estava por ali.
Um dos lugares que mais me marcou foi o templo dedicado a Durga. Mas essa experiência merece um texto próprio.

Uma forma de atravessar as nove noites
Existem diferentes maneiras de viver e compreender o Navaratri. Há alguns anos, uma das formas que escolhi para atravessar essas nove noites é percorrê-las em três movimentos: Durga, Lakshmi e Saraswati. Em 2026, essa mesma estrutura se tornou a base da experiência online da Trip.MySelf.
Dias 1 a 3 — Durga: transmutar
Durga nos convida a olhar para aquilo que pede transformação. Não apenas para aquilo que queremos “eliminar”, mas para padrões, escolhas, medos e formas de agir que já não sustentam o caminho que desejamos seguir.
Para refletir:
O que, neste momento, pede transformação em mim?
Uma prática possível:
Reserve alguns minutos de silêncio e observe onde você tem colocado sua atenção. O que você continua alimentando sem perceber? O que gostaria de começar a transformar?
Dias 4 a 6 — Lakshmi: cultivar
Depois de reconhecer aquilo que pede transformação, o movimento muda: o que queremos nutrir?
Lakshmi nos aproxima da ideia de cultivo — das qualidades, relações, atitudes e recursos internos que queremos fortalecer em nossa vida.
Para refletir:
O que já existe em minha vida e merece receber mais atenção e cuidado?
Uma prática possível:
Escolha algo que você deseja cultivar e faça hoje um pequeno gesto concreto em direção a isso.
Dias 7 a 9 — Saraswati: compreender
Nos últimos dias, o convite é olhar para a experiência vivida e perceber o que ela pode nos ensinar.
Saraswati nos aproxima do conhecimento, mas não apenas daquele que vem dos livros. Também daquele que nasce quando conseguimos observar, integrar e dar sentido ao que vivemos.
Para refletir:
O que essa travessia está me ajudando a compreender?
Uma prática possível:
Escolha alguns minutos para escrever livremente sobre o que percebeu em si ao longo desses dias. Não procure uma resposta certa. Apenas observe o que começa a ganhar clareza.
O décimo dia — celebrar e integrar
Depois das nove noites, chega o momento de reconhecer o caminho percorrido. Tradicionalmente, o décimo dia marca a vitória de Durga sobre Mahishasura e é associado à vitória da luz sobre a escuridão.
Na experiência online da Trip.MySelf, esse será também o momento de nos encontrarmos ao vivo para integrar o que atravessamos nos três movimentos: transmutar, cultivar e compreender.
Mesmo que você nunca tenha participado de uma celebração como essa antes, essa é uma ótima oportunidade para começar. E o melhor: você pode viver essa experiência de onde estiver.
NAVARATRI ONLINE 2026
Quer viver essa travessia, e não apenas ler sobre ela?
Na experiência online da Trip.MySelf, percorremos as nove noites do Navaratri em três movimentos: transmutar, cultivar e compreender.
São nove práticas gravadas, para realizar de onde estiver, e um encontro final ao vivo para celebrar e integrar o caminho vivido.
A experiência já começou, mas você pode entrar agora e acompanhar as práticas no seu ritmo. CLIQUE AQUI PARA PARTICIPAR GRATUITAMENTE
Maravilhoso…amei conhecer….achei uma riqueza….obrigada!!
Joseane, que bom saber disso! O Navaratri é mesmo uma celebração linda. Obrigada por acompanhar e se abrir pra conhecer mais.
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